“Crónicas do Meu Outro Eu” – Espreitar o vizinho

“As minhas primeiras verdadeiras experiências eróticas referem-se a coisas que aconteceram pelos meus dezoito anos. Fui passar uns dias de férias com uma amiga, no mês de Julho, na Costa de Caparica…”

As minhas primeiras verdadeiras experiências eróticas referem-se a coisas que aconteceram pelos meus dezoito anos. Fui passar uns dias de férias com uma amiga, no mês de Julho, na Costa de Caparica. Os pais dela tinham um apartamento por lá e durante duas semanas passei dias inesquecíveis. Dormíamos as duas juntas no mesmo quarto e cama, coisa típica de raparigas daquela idade.

Logo na primeira noite – lembro-me que estava um calor intenso – aconteceu algo que nos entusiasmou. Por volta da meia-noite, estávamos nós de janela aberta, luzes apagadas, sentadas na cama a falar não sei de quê, vimos que a luz da casa em frente se acendera numa divisão que ficava mesmo em frente da nossa janela.

Não prestámos grande atenção ao facto. Continuámos na conversa até que percebemos que havia alguém na divisão com a luz acesa. Acho que a curiosidade inata de mulher nos fez olhar aquele movimento. As janelas ficavam afastadas apenas por uma rua não muito larga, sendo que, como a janela em frente tinha as cortinas abertas e luz acesa, era perfeitamente visível o que se passava no seu interior.

Vimos um rapaz, mais ou menos da nossa idade, ou um pouco mais velho talvez, que se movimentava por aquilo que percebemos ser o seu quarto. O que mais nos despertou a atenção foi que ele estava a despir-se. Tirou a t-shirt que tinha vestida e ficou em tronco nu. Como adolescentes típicas soltámos uns risinhos e ficámos em silêncio a observar. Ele começou a desapertar o botão das calças e deixou-as cair. Tinha um corpo elegante, não muito musculado mas interessante. Sentou-se na cama, descalçou-se e ficou apenas com os boxers. Nós as duas continuávamos a olhar. Os risinhos tinham dado lugar a um silêncio e recordo que, no meu caso, a alguma secura na boca. Naquela altura o que eu desejava – e a minha amiga também – era assistir ao resto daquele strip inesperado.

Ele levantou-se e dirigiu-se a uma zona do quarto de onde não o conseguíamos ver. Bolas!  – pensei eu desanimada. Mas poucos segundos depois regressou ao nosso ângulo de visão. E num movimento rápido baixou os boxers ficando completamente nu. Com 18 anos já vira homens nus em revistas e filmes, mas nunca assim ao vivo. Engoli em seco e os meus olhos fixaram-se no seu sexo. Um sexo semiadormecido que se movimentava de forma gentil ao ritmo dos seus passos. Ele voltou a desaparecer no nosso ângulo de visão por uns segundos para nosso desânimo, mas rapidamente voltou. Trazia um aparelho na mão e uns phones nos ouvidos. E, para nosso agrado, continuava nu. Deitou-se na cama e pegou num livro enquanto ouvia música. E ali ficou deitado, para nosso deleite.

Imaginei como seria vê-lo assim, mas excitado. Começámos a sussurrar as duas discutindo sobre se ele teria um sexo grande ou pequeno quando em ereção. A esta distância parecem-me conversas um pouco surreais, mas éramos  duas miúdas fascinadas com o que estávamos a ver. Não sei se o que mais nos fascinava era a carga sexual de tudo aquilo, se o facto de nos sentirmos umas intrusas a espiar algo de secreto. Ou se calhar era a mistura das duas coisas…

Ali ficámos cerca de meia hora, quase sempre em silêncio. Eu lembro-me de desejar que ele estivesse a ler um livro erótico que o excitasse, pois desejava vê-lo nesse estado. Mas o livro não era certamente uma obra desse tipo pois o seu sexo manteve-se sempre mole e passivo. Quando ele apagou a luz, nós deitámo-nos. Ainda conversámos um pouco sobre o que tinha acontecido. A minha amiga não o conhecia, segundo ela aquela casa estava sempre vazia desde que ela se lembrava. Adormecemos com a secreta esperança de que no dia seguinte pudéssemos voltar a desfrutar de uma outra sessão de voyeurismo.

Na noite seguinte apanhámos uma enorme desilusão. Estivemos à espreita até bem tarde mas a luz do quarto não se acendeu. Fomos deitar-nos desanimadas mas na terceira noite voltámos a ser bafejadas com uma sessão que compensou a noite anterior. Ele chegou ao quarto mais uma vez perto da meia-noite. E de novo se despiu totalmente. No entanto, era visível que estava menos calmo… pois o seu sexo, não estando totalmente ereto, mostrava evidentes sinais de excitação.

Sempre achei que o sexo masculino é algo muito bonito e naquela noite fiquei fascinada ao vê-lo assim. Ele deitou-se na cama e desta vez não usou phones nem livro. Uma das suas mãos desceu pela barriga e agarrou o pénis. Começou a acariciá-lo lentamente. Não demorou muito para que se notasse a reação às carícias. Tinha um pénis bem dotado, pelo menos assim parecia à distância e eu estava fascinada a observá-lo. A mão dele desceu a agarrou as duas bolas, acariciando-as também. Então a outra mão juntou-se e enquanto uma tocava os testículos a outra começou a movimentar-se para baixo e para cima naquele rolo já bem duro.

O silêncio do lado de cá era total. Nem eu nem a minha amiga dizíamos nada. Apenas observávamos. A pouco e pouco os movimentos ritmados da mão foram aumentando de velocidade. E não demorou muito que um jacto branco nos mostrasse que o clímax tinha chegado. A esse primeiro jacto seguiram-se outros que lhe inundaram a barriga e o peito. Naquele momento, lembro-me que o que me ocorreu foi tentar imaginar qual seria o gosto do sémen masculino… curiosidade que apenas iria satisfazer um ano mais tarde. As mãos dele abandonaram o pénis ainda duro. Deixou-se ficar deitado durante uns minutos. Depois, levantou-se mostrando um sexo já menos alvoraçado. Saiu do quarto, mas como a luz ficou acesa continuámos à espreita. Voltou alguns minutos depois, com uma toalha enrolada à cintura. Era óbvio que tinha ido tomar banho. Desenrolou a toalha e mais uma vez nos ofereceu o corpo nu. Agora o imponente pau, que há bem pouco tempo se erguia enquanto era masturbado, estava caído e flácido. O orgasmo tinha acalmado toda aquela excitação. Por alguns segundo olhou na direção da nossa janela, o que nos fez ter um aperto no coração. Mas aparentemente não detetou a nossa presença. Quase tive medo que ele ouvisse o bater do meu coração que me parecia fazer um barulho desmesurado. Ficou ainda mais algum tempo de luz acesa mas depois deitou-se e, com um clique no interruptor, mergulhou na escuridão.

Após a sessão de masturbação que nos tinha sido oferecida não foi fácil adormecer. Ficámos as duas à conversa durante um longo pedaço da noite e, no meio de tanta tagarelice, a minha amiga sugeriu que nós respondêssemos também com um espetáculo para ele. A minha primeira reação foi dizer-lhe que era doida, mas a proposta ficou a germinar. Acabámos por planificar as coisas e combinámos que na noite seguinte iríamos tentar captar-lhe a atenção…

(Continua…)

Crónicas do meu outro eu

Ana Paula Jorge | Escritora erótica (apjlivros@gmail.com)
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