Há quem deixe de comer carne. Eu deixei os saltos altos

Deixei os saltos altos e é para sempre

É claro que a decisão de nunca mais andar de saltos implica escolhas ao nível do estilo do vestuário. Mas também por aí me sinto mais liberta. Há quem deixe de comer carne. Eu deixei de usar saltos.

De há um ano para cá, quando olho a montra de uma sapataria, só vejo sabrinas, botas rasas, ténis, mocassins… Não é que os saltos não estejam lá, brilhando, como ícones de glamour que são. Eu é que, simplesmente, já não os considero.

Foi uma transição brusca. Eu era fã incondicional de saltos vertiginosos e de plataformas. Andava de régua na mala para os medir, antes de os comprar. Menos de 12 centímetros e estavam fora de questão.

Comecei a usar saltos aos 14 anos

Comecei a usar saltos aos 14 anos e achava que não podia viver sem aquele boost de autoconfiança. Durante muito tempo, convenci-me de que era fácil e natural aquele caminhar bambaleante aquela batida sonora que nos anunciava quando andamos nas alturas.

Até que um dia – de inverno –, com um armário cheio de sapatos lindos com pouquíssimo uso, percebi que, apesar de continuar a comprar sapatos de salto alto por que me apaixonava nas montras, acabava por usar sempre botas rasas.

E, nas ocasiões em que decidia dar uso a algum par de saltos, o meu andar fraquejava. Entorpecia-se. Amedontrava-se. Ficava até ridículo quando tinha de caminhar sobre a calçada.

Há quem deixe de comer carne. Eu deixei os saltos altos

Gosto de andar ligeira. Gosto que os meus passos sejam mais largos, seguros e elásticos. Gosto de não fazer barulho ao caminhar. Gosto muito de não ter de fingir sentir-me confortável.

Claro que a decisão de nunca mais andar de saltos altos implica escolhas ao nível do estilo do vestuário. Mas também por aí me sinto mais liberta.

Há quem deixe de comer carne. Eu deixei de usar saltos. É uma escolha para a vida, pelo meu conforto e elegância, e não há volta atrás. Pena que o ambiente não ganhe nada com isso, mas enfim, não se pode ir a todas.
PS – Madalena, sis, podes vir buscar os tais sapatos das flores, são teus.

Ana Prista | jornalista arrependida


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