Renato Sanches

O “drama” tem tranças pretas e mudou-se para a Baviera

A derrota no Bonfim fez soar definitivamente o alarme. O clube da Luz não acautelou devidamente a saída de Renato Sanches e o seu futebol torna-se previsível sem a “selvajaria” do “Bulo”. Para onde caminha o Benfica de Rui Vitória?

Indiferente às poças que se acumulam num asfalto pouco cuidado, a bola continua a saltar. Sempre assim foi; sempre será. No seu encalce, pequenos “índios” apaixonados pelo seu bem mais precioso transformam cada dia no bairro da Musgueira na final da “Champions League”. Sem receio da queda, da ferida, ou dos ténis que deviam “ser para durar”, os medos cessam-se ali transformados em poderes especiais nos homens do amanhã. Esse foi um dos segredos do “Bulo”. O pequeno Renato que se fez homem na Luz, não teme qualquer confronto ou aventura na selva do seu futebol. Por esse trilho chegou o Benfica ao “tri” e a seleção das quinas fez história em terras gaulesas.

2459 quilómetros. A distância do tetra

Do bairro da Musgueira à Luz são pouco mais de cinco quilómetros. Do mesmo local à Allianz Arena – casa do Bayern – 2459. Nem mais, nem menos. A distância abismal entre um e outro local cria um paralelismo hábil -e revelador – de um Benfica com e outro sem Renato Sanches. Os 35 milhões de euros pagos pelo menino das tranças pretas não foram suficientes para o tricampeão arranjar um substituto à altura, ou pelo menos tentar. Agora, paga por isso. Porque Pizzi não é -nem nunca será- o jogador “selvagem” capaz de dar profundidade vertical ao jogo ofensivo dos encarnados, porque o talentoso Horta parece ainda “verde” para estas andanças, e o reforço (?!?) Célis está de malas aviadas para regressar à Colômbia. Nada mais resta no plantel às ordens de Rui Vitória e na equipa “B” não nascem “Renatos” todos os dias.

O renascer de Espírito Santo com Jesus à espreita

Da enfadonha equipa encarnada que saiu derrotada do Bonfim, emanou um forte sinal de esperança …para os rivais. O outrora moribundo FC Porto de Nuno Espírito Santo acredita agora que é possível assaltar o primeiro lugar da tabela – ainda que as exibições continuem confrangedoras -, e até o magro leão de Jesus tenta reerguer-se à conta de uma águia que volta a vislumbrar no horizonte.

O mês de Janeiro foi penoso para os comandados de Rui Vitória. Empate caseiro com o Boavista, derrota humilhante -mas justa – com o “campeão de Inverno” Moreirense e queda aparatosa em terras do Sado.

Fevereiro trará novas e exigentes disputas (os duelos com o Dortmund já pairam no horizonte…) que servirão de barómetro para a real valia deste Benfica. Para já, o “Ferrari” está aos soluços e com 2459 saudosistas quilómetros a separá-lo do tão ambicionado -e inédito – tetra.

Pedro Alcaide


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