Mundial 2018 por Nuno Farinha: Sem pachorra para o avião

Mundial 2018 por Nuno Farinha: Sem pachorra para o avião

Mundial 2018 | Um clássico: o avião da Seleção na pista à espera de indicação para levantar voo rumo à Rússia e todas as televisões em direto…

Um clássico: o avião da Seleção Nacional na pista do Aeroporto de Lisboa à espera de indicação para levantar voo rumo à Rússia, para o Mundial 2018, e todas as televisões em direto a acompanhar o momento sem qualquer interrupção.

Alguns, ainda assim, a enquadrar melhor a situação. O essencial, no entanto, era isto: aeronave no plano (sem nada a acontecer), imagens a rodar em segunda e terceira janela, algumas fotografias e comentários para ir entretendo.

Um longo direto que ia sendo acompanhado, inclusivamente, com a “análise” de convidados em estúdio. Todo um cerimonial próprio dos grandes acontecimentos.

Os craques aprestavam-se para viajar em direção a Moscovo, mas o aparato mais parecia indicar que Cristiano Ronaldo e companhia estavam, isso sim, de partida para… a Lua!

Sejamos claros: a presença de Portugal em fases finais de Europeus e Mundiais há muito que deixou de ser novidade. Tornou-se antes uma agradável rotina e, por isso mesmo, este “exagerado” fascínio por um avião à espera para levantar voo não faz muito sentido do ponto de vista informativo.

«Se as coisas correrem bem e houver quem vista a pele de Éder, na final de 15 de julho, aí sim, tudo será permitido na hora da chegada» [MUNDIAL 2018, por Nuno Farinha]

Há óbvia justificação para que um canal de informação faça vários apontamentos em direto no dia da partida. A saída do hotel, a chegada ao aeroporto ou o contacto fugaz com os adeptos.

E até faz sentido que o momento do avião a levantar voo seja acompanhado em direto. O erro é a emissão prolongar-se indefinidamente quando nada está a acontecer e se insiste em ficar por lá. Duas ou três entradas em direto, de dois ou três minutos cada, teriam sido suficientes para resolver a questão.

A participação de Portugal nas fases finais já não deixa ninguém excitado. Ou, pelo menos, a excitação não é a mesma que se sentia há 20 anos. O Mundial de 1966 já vai longe. E aí, sim, os exageros seriam aceitáveis.

No Euro’84, em França, e no célebre México 86 o efeito novidade ainda se fazia sentir. Mas a partir da década seguinte tudo mudou: estivemos em 1996, 2000, 2002, 2004 (o nosso), 2006, 2008, 2010, 2012, 2014 e 2016

Se as coisas correrem bem e houver quem vista a pele de Éder, na final de 15 de julho, aí sim, tudo será permitido na hora da chegada. O que não há é motivo para este “carnaval” que ainda se tenta fazer na hora da partida.

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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