Mundial 2018 por Nuno Farinha: Proposta indecente

Mundial 2018 por Nuno Farinha: Proposta indecente

Às portas do Mundial 2018, o selecionador espanhol, Julen Lopetegui, foi guloso e portou-se mal com o seu país. Não podia, aliás, ter-se portado pior.

O selecionador espanhol, Julen Lopetegui, foi guloso e portou-se mal com o seu país. Não podia, aliás, ter-se portado pior. A decisão de aceitar o convite do Real Madrid a poucas horas do início do Mundial 2018, pondo os seus interesses acima dos interesses e dos valores nacionais, é um dos mais lamentáveis episódios de que há memória na história recente do futebol espanhol. Todos os passos deste processo parecem estar errados e há apenas uma parte a ganhar com isto: Portugal. Mas já lá vamos.

A solução que o Real Madrid encontrou para a sucessão de Zidane vem provar, antes de mais, que os grandes clubes se preocupam pouco com o interesse global quando têm um problema para resolver.

Ninguém quis saber, nesta história, a imagem com que o futebol espanhol e os seus responsáveis iriam sair disto. Depois de terem visto três ou quatro treinadores recusarem o convite para orientar o Real Madrid a partir da próxima época, os dirigentes ‘blancos’ abriram os cordões à bolsa, meteram-se num avião e foram à Rússia fazer uma proposta indecente ao selecionador espanhol, que até tinha renovado há poucas semanas contrato com a sua Federação.

«O objetivo no Mundial 2018, apesar de tudo, mantém-se: levar Andrés Iniesta, Sergio Ramos, Busquets e companhia ao título mundial. Nestas condições, será possível?»

Conclusão: Lopetegui, treinador que passou pelo FC Porto sem grande sucesso, teve de ser afastado da seleção espanhola. Não havia outra hipótese. A dois dias da estreia frente a Portugal, o presidente da Federação Espanhola de Futebol (Rubiales) foi forçado a encontrar uma solução de recurso (Hierro) no meio de um caos emocional. O objetivo no Mundial 2018, apesar de tudo, mantém-se: levar Andrés Iniesta, Sergio Ramos, Busquets e companhia ao título mundial. Nestas condições, será possível?

Quem julgava que Fernando Santos tinha esgotado a estrelinha da sorte estava bem enganado. Depois de uma início dificílimo no Euro 2016 (Portugal concluiu a fase de grupos em 3.º lugar, lembre-se); de ter vencido nos oitavos-de-final, frente à Croácia, com um golo ao minuto 118 e na jogada imediatamente seguinte a ter levado uma bola no poste; de ter vencido a Polónia no desempate por penáltis, nos quartos-de-final; de ter encontrado uma ‘simpática’ seleção do País de Gales na meia-final; e de ter vencido a final de Paris, aí sim, com enorme mérito, mas também depois de ter levado com uma bola no poste ao minuto 90… afinal, ainda depois de tudo isto, a estrelinha de Fernando Santos continua bem viva! O que estaríamos nós a pensar a esta hora se Portugal tivesse ficado sem selecionador a dois dias do primeiro jogo do Mundial?

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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