Nuno Farinha convocado para o Mundial 2018: «O Mundial e a Bola de Ouro»

Nuno Farinha convocado para o Mundial 2018: «O Mundial e a Bola de Ouro»

Há 10 anos consecutivos que o prémio que distingue o melhor futebolista do Mundo é assunto para apenas duas pessoas: um português nascido da Madeira e um argentino nascido em Rosario.

Há 10 anos consecutivos que o prémio que distingue o melhor futebolista do Mundo é assunto para apenas duas pessoas: um português nascido da Madeira e um argentino nascido em Rosario.

Não podiam ser mais diferentes. Um é alto e forte, o outro é baixo e fraco. Um é destro, o outro é canhoto. Um é extrovertido, o outro é tímido. Um fala alto, o outro fala baixo. Do ponto de vista futebolístico, e para o efeito é isso que mais importa, a distância continua a ser enorme. É como se vivessem nos antípodas. Cristiano Ronaldo é o fruto do trabalho sem limites: suor, esforço, lágrimas, dedicação, perseverança, obstinação. Tudo em doses elevadas. Lionel Messi é feito de outra matéria: genalidade, magia, criatividade, talento, subtileza.

São estes dois produtos absolutamente distintos que estão há uma década a tomar conta do trono do futebol mundial. A ordem é esta: Ronaldo, Messi, Messi, Messi, Messi, Ronaldo, Ronaldo, Messi, Ronaldo, Ronaldo. Não terá chegado a hora de entrar no jogo uma espécie de “terceiro elemento”?

Há dois ou três jogadores (não mais) que podem aspirar à Bola de Ouro 2018. Dois ou três, entenda-se, para além dos dois crónicos. O mais forte candidato a entrar nestas contas é Neymar. Há um problema com o brasileiro, porém: a mudança para Paris não resultou da forma planeada e a lesão grave contraída já este ano deixou-o tempo a mais longe dos relvados.

«O que precisaria Neymar de fazer para chegar a número 1 do Mundo?»

O que precisaria, então, Neymar de fazer para chegar a número 1 do Mundo? Vencer o Mundial, ser a estrela da competição e, depois, cumprir uma segunda metade do ano (de agosto a dezembro) a um nível alto. Se, eventualmente, vier a consumar-se a transferência do PSG para o Real Madrid (como tudo indica), esse “carnaval mediático” iria ajudar na candidatura à Bola de Ouro. Um bom golpe de marketing ajuda sempre, mas sem Mundial… nada feito.

Há um outro hipotético candidato, mas com um perfil muito distinto: Andrés Iniesta. É verdade que o Barcelona voltou a falhar na Liga dos Campeões, mas a conquista da Liga de Espanha e da Taça do Rei serviriam para compôr a candidatura de D. Andrés (Iniesta) caso a Espanha, claro, viesse a sagrar-se campeã do Mundo.

Em resumo: não é certo que a conquista do Mundial defina o vencedor da Bola de Ouro (em 2010 a Espanha venceu e o melhor foi Messi; em 2014 venceu a Alemanha e o melhor foi Ronaldo), mas terá seguramente um peso grande na decisão de quem elege. Portanto, se Portugal for campeão do Mundo, Ronaldo terá mais uma Bola de Ouro. Se vencer a Argentina, o prémio é de Messi. Se vencer a Espanha, Iniesta pode festejar. E se vencer o Brasil, como já se disse, o melhor deverá ser Neymar.

A questão é: e se, por exemplo, vencer a Alemanha? Haverá coragem e interesse (político e comercial) para acabar com a hegemonia de Cris e Leo?

Nuno_Farinha

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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