Nuno Farinha convocado para o Mundial 2018: «Carlos Queiroz sem limites»

Nuno Farinha convocado para o Mundial 2018: «Carlos Queiroz sem limites»

Carlos Queiroz, o selecionador do Irão, foi o homem que há quase 30 anos (!) criou a biberão aquela que ficará para sempre conhecida como a geração de ouro do futebol português.

Há muitos anos que os especialistas defendem que o futebol português se divide em dois períodos: a.E/d.E. Ou seja, antes de Eusébio e depois de Eusébio.

As últimas gerações, para quem os feitos do Pantera Negra não têm um significado extraordinário, terão outra ideia. Dizem, sim, que o futebol português se divide de facto em duas fases, mas falam antes em a.CR/d.CR. Que é como quem diz: antes de Cristiano Ronaldo e depois de Cristiano Ronaldo.

Todas as teorias são defensáveis. Depende sempre do ponto de vista e, neste caso concreto, depende mais da questão geracional do que de outra coisa qualquer.

Quem acompanhou, em tempo real, as proezas de Eusébio da Silva Ferreira nos anos 60 dificilmente deixará de eleger o antigo avançado do Benfica. Mas, por outro lado, quem tem o privilégio de ir assistindo, temporada após temporada, aos sucessivos recordes que Cristiano Ronaldo vai pulverizando também não hesita na hora de escolher o nome mais influente na história do futebol português: Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

O papel de “rei” ficaria – ficará – sempre bem em qualquer dos casos. Mas há ainda, sobre esta questão, uma terceira corrente de pensamento. São analistas com uma visão mais científica do assunto e falam nas fases a.Q/d.Q. Traduzindo: antes de Queiroz e o depois de Queiroz.

Em 1989 e em 1991, Portugal sagrou-se campeão mundial de sub-20 pela mão do professor Carlos Queiroz

Carlos Queiroz, o selecionador do Irão, foi o homem que há quase 30 anos (!) criou a biberão aquela que ficará para sempre conhecida como a geração de ouro do futebol português.

Em 1989, primeiro, e em 1991, depois, Portugal sagrou-se por duas vezes campeão mundial de sub-20 pela mão do professor Queiroz.

Foi quando se assistiu, pela primeira vez, à “explosão” de craques de laboratório: João Vieira Pinto, Paulo Sousa, Fernando Couto, Rui Costa, Luís Figo, Emílio Peixe. Tantos!

É indiscutível que esse tempo marcou uma nova fase ao nível das mentalidades, com impacto direto na competividade… e nos resultados.

É justo dizer-se que a partir daí, sim, nada viria ser como dantes. Portugal tinha medo de vencer. Deixou de ter. Portugal tinha medo de acreditar. Passou a acreditar. Esse mérito é muito de Carlos Queiroz, que talvez nunca tenha tido, no seu (nosso) país, o reconhecimento que merecia.

Depois de 2002 (África do Sul), 2010 (Portugal), 2014 (Irão) e 2018 (Irão), onde irá estar o professor em 2022?

Carlos Manuel Brito Leal Queiroz tem 65 anos (o tempo passa!) e acaba de anunciar que a sua passagem pelo Irão, que representa desde 2011, está a chegar ao fim.

Fará este Campeonato do Mundo, na Rússia, e de seguida fecha mais um capítulo na sua carreira de sonho, que inclui passagens – relembre-se – por gigantes como o Manchester United ou Real Madrid.

Quis o destino que Portugal surgisse no caminho do Irão neste Mundial’2018. Não será fácil, para Queiroz, ouvir tocar “A Portuguesa” estando do outro lado a defender as cores do “inimigo”.

Quando as emoções acalmarem e a aventura russa chegar ao fim, Queiroz terá, então, a tarefa mais desafiante da carreira: procurar um novo destino e (tentar) tornar-se no primeiro homem a qualificar-se por 5 vezes para a fase final de um Campeonato do Mundo.

Depois de 2002 (África do Sul), 2010 (Portugal), 2014 (Irão) e 2018 (Irão), onde irá estar o professor em 2022?

Nuno_Farinha

Nuno Farinha, jornalista
#convocado para o #Mundial2018

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