Parece que o jazz está de novo na moda – opinião de Filipe Carvalho

Parece que o jazz está de novo na moda

A cultura negra voltou a ser um dos grandes temas da actualidade, pelo menos no que toca às artes. Do cinema – Moonlight ganhou o Óscar para melhor filme do ano e bem diga-se – passando pela televisão – hey The Get Down estou a olhar para ti – seguindo para a música.

Muito se tem falado de Childish Gambino, que recuperou o groove à la Prince dos anos 70, ou Chance The Rapper que se afirma como um dos mais interessantes e criativos rappers do momento. Nos últimos meses, tenho estado mais inclinado para o jazz e as suas variantes e nesse campo musical é em Terrace Martin que encontrei um novo vício, graças ao seu sexto álbum de originais Velvet Purposes (2016).

A primeira vez que ouvi o nome do multi-instrumentista foi através do fenomenal How To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar, no qual foi um dos principais produtores. A ligação perfeita da poesia de Kendrick com as sonoridades funk, soul, jazz e free jazz tornaram o disco numa das obras mais importantes de sempre do hip hop e provavelmente da indústria musical dos últimos 10/15 anos. Não dizer isto é praticamente sacrilégio.

Fiel seguidor de John Coltrane, Miles Davis, Herbie Hancock, o músico tem aquela capacidade única de fazer a ponte entre estilos musicais sem nunca perder a sua identidade

Graças à magia da internet e do poder da Google, rapidamente cheguei a Terrace Martin, que o ano passado lançou Velvet Purposes. Fiel seguidor de John Coltrane, Miles Davis, Herbie Hancock, o músico tem aquela capacidade única de fazer a ponte entre estilos musicais sem nunca perder a sua identidade. Com uma infância envolta em jazz pelas mãos do pai (literalmente, já que era baterista), durante a adolescência embrenhou-se no mundo do hip hop com o qual cresceu. Ao aliar esses dois mundos – que não estão assim tão separados – Martin conseguiu dar asas à criatividade musical tendo trabalhado para inúmeros artistas como produtor.

Os viciados em jazz vão perder-se de amores por Curly Martin (que música!) ou os fãs de hip hop vão apreciar Tribe Called West ou With You. Existe um pouco de tudo, para todo

É em Velvet Purposes que mostra toda a diversidade artística que tem, mantendo-se fiel aos seus princípios. É um álbum abrangente que traz memórias do passado e as transporta para o futuro formando um presente ecléctico. Os amantes de r’nb vão deliciar-se com Never Enough. Os viciados em jazz vão perder-se de amores por Curly Martin (que música!) ou os fãs de hip hop vão apreciar Tribe Called West ou With You. Existe um pouco de tudo, para todos.

A música de Terrace Martin parece que nunca fica parada muito tempo. Bastante cénico, Velvet Purposes é também uma homenagem a Los Angeles (cidade natal do músico), vista de um modo muito particular. A obra tem uma vibe distinta do que se ouve por aí como se cada música fosse uma peça de um puzzle que ao principio parecem não encaixar. Sou fã de “coisas” que parecem não encaixar. Isso obriga-me a ouvir uma, duas, três vezes até encontrar o segredo.

Se estão à procura de um novo álbum para desfrutarem, Velvet Purposes deve ir para o topo da vossa lista.

Os viciados em jazz vão perder-se de amores por Curly Martin (que música!) ou os fãs de hip hop vão apreciar Tribe Called West ou With You. Existe um pouco de tudo, para todo
Filipe Carvalho

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