Crónicas

Uma depilação integral

Há uns anos decidi fazer a depilação a laser da área púbica e genital. Os métodos que usara até então não me agradavam, quer fosse a cera (ui… altamente doloroso) quer fosse a lâmina (os pelos cresciam rapidamente e depressa a pele ganhava uns “picos” muito pouco simpáticos, sobretudo quando do outro lado alguém me presenteava com uma sessão de sexo oral).

Há uns anos decidi fazer a depilação a laser da área púbica e genital. Os métodos que usara até então não me agradavam, quer fosse a cera (ui… altamente doloroso) quer fosse a lâmina (os pelos cresciam rapidamente e depressa a pele ganhava uns “picos” muito pouco simpáticos, sobretudo quando do outro lado alguém me presenteava com uma sessão de sexo oral).

Pesquisei vários centros e clínicas e acabei por optar por um pequeno espaço que me foi recomendado por uma amiga. Ela tinha feito lá a depilação integral com laser Alexandrite e tinha gostado bastante do resultado. Decidi fazer a marcação e lá fui preparada para esta nova experiência. Fui recebida por uma técnica simpática que me explicou todo o procedimento. O processo, segundo ela, não era muito doloroso, iria sentir umas picadelas provocadas pelo laser, coisa perfeitamente suportável.

No entanto – avisou-me -, a dor seria um pouco mais intensa na zona dos lábios vaginais, pois este tratamento provocava uma dor mais forte nas zonas da pele com pigmentação mais escura. Para além disso essa zona tinha uma elevada sensibilidade e, assim sendo, teria de estar preparada para uns momentos mais difíceis. A vantagem é que, no final do processo, deixaria de me preocupar com ceras e lâminas e – garantiu-me – toda a zona ficaria bem mais macia do que usando os métodos depilatórios mais “tradicionais”.

Depois de me terem sido dadas todas as explicações passámos à fase de agendamento. As sessões deveriam ter um intervalo de vinte a trinta dias e indiquei que, por mim, faria a primeira sessão de imediato. A técnica indicou-me que nesse dia ela já não conseguia encaixar-me pois tinha várias marcações. Aliás, só poderia começar a tratar-me daí por uma semana. Fiquei um pouco desiludida, mas ela justificou-se dizendo que eram um centro pequeno, apenas com dois técnicos, o que levava a que as suas agendas ficassem muitas vezes totalmente preenchidas.

Quando perguntei se a outra técnica poderia avançar mais cedo com as sessões, ela disse-me que sim, que poderia até ser naquele dia, mas que não era uma técnica, era um técnico! Sendo a depilação na área genital, ficaria confortável se o processo fosse feito por um homem? Fiquei uns segundos sem saber o que responder, mas acabei por indicar que não me importaria de fazer os tratamentos com um técnico homem. Ela pediu-me uns segundos, saiu da sala e voltou menos de um minuto depois. Referiu-me que poderia ser atendida dentro de meia hora. Concordei e fiquei à espera.

Meia hora depois, ele apareceu na sala. Alto, elegante, tinha um rosto simpático, aparentando ter cerca de 40 anos. Apresentou-se e pediu-me para o acompanhar ao gabinete. Entrámos num espaço onde predominava o branco. Pegou numa folha onde estavam os meus dados, olhou-a por uns segundos e foi confirmando os elementos que ali constavam. Confirmei as informações e o tipo de depilação que desejava. Disse-me que teria de me despir da cintura para baixo e de me deitar na marquesa. Despi as calças e ganga e a cuequinha e deitei-me no local indicado. Ele manteve-se de costas para mim, certamente para me deixar à-vontade enquanto retirava a roiupa. Quando se voltou, tinha já umas luvas brancas de borracha calçadas. Aproximou-se e olhou para a área que ia ser depilada.

– Tem uns pelos que têm de ser cortados! – disse-me. O laser só podia atuar em zonas com os pelos rapados. Por isso, ele informou-me que iria primeiro passar com uma lâmina para a seguir usar o laser. Pegou numa bisnaga, indicando que iria colocar um pouco de creme para amaciar a pele, e foi buscar a lâmina. Quando voltou, colocou-se junto à minha cintura e pediu-me para abrir as pernas. Obedeci, ficando totalmente exposta ao seu olhar. Ele pôs um pouco de creme na mão e espalhou-o na minha área púbica. O toque agradou-me… Friccionou toda a zona durante alguns segundos, de forma suave, e pela minha cabeça passou a imagem das massagens yoni que de vez em quando faço!

De forma cuidadosa começou depois a rapar os pelos. Inicialmente rapou a zona púbica por cima do sexo. Depois, desceu, começando a rapar a área junto aos lábios. Pegou numa das minhas pernas e dobrou-a. Depois, fez o mesmo com a outra, ficando eu com as plantas dos pés juntas e as duas pernas em V. Sentia a lâmina na área dos lábios vaginais, e os dedos que os iam afastando. Aquilo sabia bem, caramba!

Terminada esta fase, foi buscar o aparelho e colocou uns óculos para se proteger da luz do laser. Colocou-me uma pequena toalha sobre os olhos, para me proteger também dessa luz, e iniciou o tratamento. A máquina pousou na minha pele e senti uma leve picada. O procedimento foi-se repetindo, com ele a perguntar-me regularmente se estava tudo bem. A dor não era muito intensa, mas quando se foi aproximando da região dos lábios, a sensação de descarga elétrica intensificou-se. Ele puxou um dos lábios, alertando para que aquela zona seria a mais dolorosa. Respirei fundo, sentindo os dedos que me tocavam e que, não fosse o contexto, até poderiam ser toques bem agradáveis. De repente, as sensações de dor – provocadas pelo laser –  começaram a misturar-se com as sensações mais agradáveis dos dedos e eu tentei concentrar-me de forma a impedir que a minha imaginação ativasse os circuitos do desejo. Seria constrangedor eu revelar que a experiência me estava a excitar.

Os olhos tapados pela toalha não me permitiam observar o que se passava a sul, mas aqueles dedos pareciam ter uma queda para tocar em alguns pontos mais sensíveis, nomeadamente na junção superior dos lábios que albergava o clitóris cada vez mais desperto. Quando terminou, senti um misto de sensações: o alívio pelo fim das picadas e o desânimo pelo fim da caminhada dos dedos pelos trilhos do meu sexo. Ele retirou-me a toalha dos olhos. Também já tinha tirado os óculos e disse-me que, caso o desejasse, passaria um creme na área tratada, para aliviar um pouco o desconforto do tratamento. Disse-lhe que sim e ele pegou numa bisnaga de creme despejando um pouco no meu baixo ventre. O fresco soube-me bem e, quando ele começou a espalhá-lo sobre a minha pele, fui incapaz de evitar um arrepio que, era óbvio, tinha mais a ver com o prazer do que com a temperatura.

Ele começou a massajar-me suavemente e eu fechei os olhos, saboreando o toque. Os seus dedos roçaram fugazmente a fenda do meu sexo, e o gesto repetiu-se segundos depois. Aquilo começava a fazer efeitos e quando ele me perguntou se a massagem estava a ser agradável, respondi-lhe que estava a ser muito boa. Ele parou e eu abri os olhos. Vi-o retirar as luvas de borracha. Perguntou-me se queria que continuasse e eu acenei afirmativamente com a cabeça. Sem luvas, o toque tornou-se ainda mais agradável e, desta vez, os seus dedos pressionaram a junção dos meus lábios, que se afastaram e os engoliram. Senti que dois dedos deslizavam para o interior do meu corpo, enterrando-se totalmente. Soltei um leve gemido, que o incentivou a continuar. Procurou-me o clitóris e começou a massajá-lo. Com a outra mão desapertou-me os botões da blusa, expondo os meus seios aconchegados no soutien. Afastou o tecido do soutien e tocou-me a pele nua. Os mamilos eretos revelavam os efeitos dos seus toques e, lá em baixo, as minhas ancas iam ganhando viva própria.

– Se não parar vou-me vir! – avisei-o.

– E não quer vir-se?

Disse-lhe que sim, e ele sorriu. Beliscou-me suavemente os mamilos e eu engoli em seco, sentindo que o processo de chegada do orgasmo estava em marcha. As minhas ancas tentavam acompanhar o ritmo daqueles dedos, movimentando-se para cima e para baixo. Ele inclinou-se e chupou-me um dos mamilos. Senti os dentes roçarem o bico teso e o toque daqueles lábios quebrou a última barreira que aprisionava a explosão orgásmica. A minha cintura elevou-se num impulso e as minhas mãos agarraram-lhe o pulso empurrando a mão para baixo, para que os dedos entrassem totalmente no meu sexo. Abafei um gemido, pois o local não seria o mais indicado para grandes gemidos, e todo o meu corpo se contraiu num espasmo deliciosamente violento.

Naqueles momentos perde-se sempre a noção da realidade e fui enviada para aquela dimensão em que se paira num limbo sensual que é sempre único! Regressei depois lentamente à Terra, sentindo o corpo relaxar. Abri os olhos e vi que ele me mirava com um sorriso nos lábios. Ainda tinha dois dedos no meu sexo, aprisionados. A mão livre ia passeando pelos meus seios, acariciando-os suavemente.

– Gostou da massagem?

– Muito!

Ele retirou os dedos e eu espreguicei-me, deliciada com o que acontecera. Sentei-me na marquesa. Ele estendeu-me a mão para me ajudar a pôr de pé. As minhas pernas ainda estavam fracas e agradeci a ajuda. Vesti a cuequinha e as calças.

– Sei que quis fazer esta sessão comigo porque a minha colega não tinha vaga hoje. Não sei se quer fazer as próximas quatro sessões comigo ou com ela.

Fiz um ar pensativo, como se não soubesse já a resposta.

– Acho que já que começou, podemos manter as coisas assim. Se for possível faço todos os tratamentos consigo.

Ele sorriu e foi buscar a agenda. Marcámos a segunda sessão para dali a 20 dias. Ajeitei o cabelo e ele acompanhou-me à porta. A colega devia estar a fazer um tratamento no outro gabinete, pois não se via ninguém. Estendeu-me a mão para se despedir, dizendo:

– Foi um prazer!

Apertei-lhe a mão.

– Na verdade, o prazer foi todo meu!

Ele sorriu e eu aproximei-me do seu rosto, pousando um leve beijo nos seus lábios.

– Até à próxima!

– Até à próxima.

Saí, sentindo-me muito bem! Tinha de agradecer à minha amiga a sugestão que me dera para ir àquela clínica!

Crónicas do meu outro eu

Ana Paula Jorge | Escritora erótica (apjlivros@gmail.com)
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