Quebra de produção não muda otimismo do setor do caju em Moçambique

Quebra de produção não muda otimismo do setor do caju em Moçambique

A quebra da produção de caju nas previsões para a campanha deste ano não alterou o otimismo dos operadores do setor, que esperam resultados muito positivos.

Maputo, 02 jun (Lusa) – A quebra da produção de caju nas previsões para a campanha deste ano não alterou o otimismo dos operadores do setor, que esperam resultados muito positivos.


A produção declarada de castanha de caju deverá ascender este ano a 126 mil toneladas, abaixo do recorde alcançado em 2017, disse à Lusa o diretor-geral do Instituto de Fomento do Caju (Incaju), Ilídio Banze.


“As zonas sul e centro tiveram alguns problemas com chuva, ventos fortes e queda de granizo”, justificou aquele responsável.


Não fosse o mau tempo e o país poderia ter alcançado este ano um novo recorde de produção de caju dos últimos 40 anos, suplantando o que foi alcançado na campanha 2016/17 com 139 mil toneladas.


Apesar da redução, o diretor-geral do Incaju faz um balanço positivo da campanha atual, lembrando que até finais da década de 1980 o país produzia 18 mil toneladas em cada ciclo.


“Neste momento temos novos atores na cadeia de produção do caju e acreditamos que nos próximos, a este ritmo, consigamos atingir a meta das 200 mil toneladas”, concluiu Ilídio Banze.


Cada campanha vai de outubro a abril e os valores referidos dizem respeito à produção declarada ao Incaju, ou seja, não incluem a totalidade da produção do país que se calcula seja muito maior – as autoridades estimam que metade da castanha produzida em Moçambique esteja fora do mercado formal.


A fileira do caju tem sido alvo de investimentos estatais e de privados.


As autoridades moçambicanas têm apoiado anualmente com cerca de três milhões de dólares a aquisição de produtos químicos para os camponeses fazerem face a pragas.


“Queremos aumentar o número de intervenientes nesta área de controlo de pragas e doenças, convidando o setor privado para que intervenha diretamente”, afirmou o diretor-geral do Incaju, lembrando que o risco de perdas de produção de caju devido a pragas chega a 50%, o que seria “catastrófico”.


Vitória Casimiro vende castanha há 15 anos à entrada do mercado Malanga, um dos principais da cidade de Maputo, e conta à Lusa que nos últimos tempos houve um ligeiro aumento do preço do produto.


Há um ano, comprava por 50 meticais (0,7 euros) uma quantidade de castanha que enchia uma lata de dois litros, enquanto hoje o preço é de 70 meticais (0,9 euros).


“Ouvi que, neste ano, a produção não vai ser igual à do ano passado. Se isto continuar assim, terei de mudar de negócio, porque disto depende a educação dos meus dois filhos”, acrescentou.



EYAC // PJA

By Impala News / Lusa


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