Nações Unidas apelam a proteção de equipas médicas após morte de voluntária em Gaza

Nações Unidas apelam a proteção de equipas médicas após morte de voluntária em Gaza

Responsáveis de várias agências das Nações Unidas mostraram-se hoje preocupados após a morte de uma paramédica voluntária palestiniana em Gaza e apelaram a uma maior proteção das equipas humanitárias

Jerusalém, 03 jun (Lusa) – Responsáveis de várias agências das Nações Unidas mostraram-se hoje preocupados após a morte de uma paramédica voluntária palestiniana em Gaza e apelaram a uma maior proteção das equipas humanitárias


Razan al-Najjar, de 21 anos, foi baleada por soldados israelitas enquanto tentava retirar feridos perto da fronteira do território de Israel com a Faixa de Gaza, representando a segunda mulher entre mais de 115 palestinianos que foram mortos pelas forças armadas israelitas desde que começaram os protestos, no final de março. Outros três elementos da sua equipa, pertencente á Sociedade Palestiniana para o Auxílio Médico (SPAM), ficaram feridos


Na sequência desta morte, o coordenador humanitário das Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde(OMS), o Gabinete do Alto Comissário para os Direitos do Homem e a agência da ONU para a Coordenação Humanitária pediram mais proteção para o pessoal médico


“As equipas médicas devem poder desempenhar as suas funções sem medo de serem mortos ou feridos”, disse o coordenador humanitário, Jamie McGoldrick. “A morte de um trabalhador médico claramente identificado pelas forças de segurança durante uma manifestação é particularmente repreensível. É dificil perceber como se coaduna com as obrigações de Israel, como potência ocupante, em assegurar o bem estar da população de Gaza”


Este foi o último de vários incidentes envolvendo equipas médicas registados entre 30 de março e 27 de maio: 245 trabalhadores da saúde e 40 ambulâncias foram alvo de ataques e vários deles atingidos com munições reais, segundo os dados fornecidos pelo ministério da Saúde palestiniano e outras organizações.


“Os relatos indicam que Razan estava a auxiliar manifestantes feridos e usava o uniforme de paramédica, que a tornava distinguível como trabalhadora médica mesmo a distância”, referiu James Heenan, responsável do Gabinete do Alto Comissário para os Direitos do Homem, acrescentando: “é muito difícil perceber como é que Razan representava uma ameaça para as forças israelitas bem protegidas e bem armadas que se encontravam em posições defensiva no outro lado da vedação.


A OMS pediu mais proteção para os trabalhadores de saúde e os seus pacientes. Gerald Rockenschaub, responsável pela OMS nos territórios palestianianos ocupados afirmou: “Os nossos pensamentos estão com a família de Razan e os seus colegas da SPAM. Estes ataques aos auxiliares médicos não deviam acontecer e temos de melhorar os esforços para assegurar a proteção dos nossos trabalhadores que estão na linha da frente. Existem indicações claras a nível internacional para proteger o auxílio medico e devem ser respeitadas”.


Milhares de Palestinianos, incluindo centenas de médicos em uniformes brancos, participaram nas cerimónias fúnebres da colega na sexta-feira.


Depois do funeral, dezenas de palestinianos dirigiram-se à cerca que separa Gaza de Israel e atiraram pedras aos soldados israelitas. Cinco manifestantes foram feridos por fogo israelita, segundo as autoridades palestinas.



RCR (SP) // PJA

By Impala News / Lusa


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