Cerca de 100 pessoas em protesto na EN125 contra degradação da via algarvia

Cerca de 100 pessoas em protesto na EN125 contra degradação da via algarvia

Cerca de 100 pessoas percorreram hoje cinco quilómetros da Estrada Nacional 125, no Algarve, para exigir a reparação desta via.

Vila Real de Santo António, Faro, 10 jun (Lusa) — Cerca de 100 pessoas percorreram hoje a pé e de bicicleta cinco quilómetros da Estrada Nacional 125, no Algarve, para exigir a reparação desta via, num protesto convocado pelo Movimento de Cidadania dos Utentes da EN125 — Sotavento.


A manifestação saiu da rotunda de Vila Nova de Cacela, no concelho de Vila Real de Santo António, pouco depois das 10:00, e os participantes percorreram cerca de cinco quilómetros e passaram também por zonas do concelho de Castro Marim, que é, com o vizinho município vila-realense, um dos mais afetados pela degradação da EN125 na zona sotavento (este).


Os presidentes das Câmaras de Vila Real de Santo António, Conceição Cabrita, e de Castro Marim, Francisco Amaral, estiveram a acompanhar o protesto, que foi feito a pé e de bicicleta, com os participantes a vestirem de negro em sinal de “luto” pelo estado de degradação da via.


Um dos participantes, Pereira de Campos, residente em Vila Real de Santo António e proprietário de comércios em várias localidades algarvias, disse à agência Lusa sentir-se “envergonhado” pelo estado da EN125 no sotavento.


“Venho mostrar a minha indignação por esta situação, tenho 85 anos e nunca vi a estrada 125 desta forma, era mais estreita na faixa de rodagem, mas estava cuidada, as bermas estavam cuidadas e isso é que é realmente uma vergonha. Sinto-me envergonhado de pertencer a um país onde isto acontece”, afirmou.


Pereira de Campos considerou que o sotavento é “tremendamente periférico, mesmo com todas estas autoestradas e com estas distâncias relativas que diminuíram de Lisboa ao Algarve”, e que as obras que a empresa Infraestruturas de Portugal realizou na última semana nessa zona, melhorando o tapete de alcatrão na faixa de rodagem, se trataram de “remendos”.


“Faz-me lembrar o sapateiro remendador, quando antigamente se dizia que não havia dinheiro para meter umas meias-solas, punham-se umas tombas. Isto são verdadeiras tombas e é uma vergonha, porque já passei pela estrada e vi que continua irregular, não tem durabilidade nenhuma e é uma falta de respeito por uma região que dá tanto ao país”, disse.


O presidente da Câmara de Castro Marim disse, por seu turno, que o Movimento de Utentes da EN125 “emana da sociedade civil, é independente de qualquer partido”.


“E isto revela bem o sentir desta população, que ao longo dos anos tem vindo a suportar o agravamento da EN125, que se aproxima muito de estradas do terceiro mundo, numa Europa que se quer civilizada e evoluída e que, no caso particular do Algarve, quer fazer turismo de qualidade. Mas com uma estrada destas é impossível”, afirmou Francisco Amaral.


Os trabalhos realizados entretanto na estrada são, para o dirigente do Movimento de Utentes Hugo Pena, obras “de fachada” feitas “para calar a boca” do Movimento a poucos dias do protesto, faltando ainda outras intervenções, como bermas e ciclovias.


Sobre a participação na manifestação, Hugo Penas disse que mais importante do que estarem presentes “70, 80, 90 ou 100 pessoas”, o protesto é válido para “assinalar a posição” e “manter-se firme nas convicções”.


“O sotavento é uma região onde se faz a entrada via terrestre do turismo [desde Espanha], onde há excelentes praias, unidades hoteleiras, restauração, uma agricultura emergente, e depois somos esquecidos e damos estas acessibilidades às pessoas, às residentes e às que nos visitam”, disse, frisando o “caráter apartidário” do Movimento.



MHC // MP

By Impala News / Lusa


RELACIONADOS

Cerca de 100 pessoas em protesto na EN125 contra degradação da via algarvia

Cerca de 100 pessoas percorreram hoje cinco quilómetros da Estrada Nacional 125, no Algarve, para exigir a reparação desta via.